Minha alma tem fome! Por isso vivo buscando formas de alimentá-la. Poesia, música, viagens, cozinha, cotidiano e tudo onde enxergo poesia. Aqui vou compartilhando meu pão e minha poesia de cada dia!
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
A Lua
A lua é o que há de mais belo, para mim, na natureza. É comum quando estou dirigindo à noite e, numa curva qualquer, dou de cara com aquela imensa lua altaneira no céu, eu ficar desconcertado. Fico sem saber o que fazer, mas ao mesmo tempo, me vem uma sensação de que devo fazer algo, como se existisse essa obrigação. É instintivo. Nunca me acostumo com sua beleza, nunca deixa de ser solene a visão, o encontro repentino com a lua. Geralmente, o que me vem à cabeça é fazer um sinal da cruz. Talvez por se esta a reação que tenho sempre que deparo com algo que eu creio sagrado. Algumas vezes eu canto uma canção que tenha a palavra lua, outras eu rezo, penso em Deus, no meu amor... Gosto de ver a lua cheia, mas me encanta também vê-la minguando, sendo coberta por uma sombra. Me faz lembrar que a vida é um ciclo. Que a sombra é passageira. Dias de lua cheia sempre vêm novamente. Todas as vezes que eu vejo a lua, eu me sinto assim... parte de algo muito maior.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Espontaneidade
Dia desses, sentado num penhasco a beira-mar, na Ponta da Lagoinha em Búzios-RJ, vi um albatroz pousado no alto de uma pedra, com aquele olhar de iminência, fitando o mar e o imenso céu azul à sua frente. Fiquei pensando: em que momento, e o que leva este pássaro a tomar a decisão de alçar voo? O que o faz sair daquela posição de conforto e se jogar ao sabor do vento, dar uns voos rasantes bem rentes ao mar e depois voltar para o mesmo lugar e fitar novamente a imensidão azul, até que decide ir embora de fato. Acabei de ver um vídeo antigo, no qual minha sobrinha, que havia aprendido a andar há pouco tempo, corre à beira da praia, seguindo a água quando o mar recua e voltando desesperadamente quando as ondas se aproximam. Uma liberdade, uma inocência. O que passa pela cabeça de uma criança quando, sentada em algum lugar, decide correr, brincar, molhar os pés, sorrir. Achei que ela e o pássaro tinham tanto em comum. Em que momento da vida a gente perde essa espontaneidade? Essa liberdade?
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Cheirinho de manga
Quando a gente é criança, a gente senta embaixo da mangueira e espera o vento derrubar a manga. A gente come a manga e ela tem cheiro e gosto de manga. E tudo que a gente quer é sentir o cheiro e o gosto da manga. A gente fica velho, e quando come a manga, ela não é mais simplesmente a manga, agora ela tem o cheiro e o gosto dos tempos em que a gente sentava embaixo da mangueira e tinha a vida inteira pra esperar a manga cair. Pra sentir o cheiro da manga. O gosto da manga. Sem pensar em mais nada. Tem gente grande que evita comer manga. Diz que é porque os fiapos grudam nos dentes.
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